Domingo, 13 de Março de 2011

Citroën C4: O amadurecimento...















Quando a Citroën lançou as imagens da actual geração do C4, fiquei um bom bocado a observar atentamente as suas linhas.
Para quem estava habituado à geração anterior, ao ver esta fiquei de imediato com a impressão de que não era uma evolução, mas sim um amadurecimento das linhas.
Se observarmos bem, as linhas do actual modelo do "double chevron" são muito parecidas ao do anterior C4.
Em resumo, o C4 cresceu em dimensões e amadureceu as linhas, estando mais consensuais.
A frente foi buscar as linhas do irmão maior C5, o que é uma mais valia dado a beleza estética deste. O que salta de imediato à vista são os faróis rasgados, e logo ao centro o logótipo remodelado. Por baixo, a entrada de ar de grandes dimensões. Todo este conjunto dão ao C4 um ar amadurecido, sem dúvida.
De lado, recorda-nos modelos anteriores da Citroën, mas o que salta mesmo à vista é o vinco da linha de cintura desnivelado. Não fica mal e resulta muito bem. A linha de cintura é curva e visto de três quartos dá a sensação de que a traseira é mais baixa que a frente. Pura sensação.
A traseira é um decalque do C3, tirando alguns pormenores, mas de linhas harmoniosas.
Ao acedermos ao interior, uma grande surpresa, tanto no design, como na qualidade dos materiais. Mais uma vez, a influência do C5 é evidente. O que retém o olhar é o volante de quatro braços e de grandes dimensões, mas uma outra surpresa é o facto de este já não ter o centro fixo, ao contrário do anterior C4 e do actual C5. Após tanto defender o centro fixo, a Citroën abandonou essa filosofia. Muito honestamente, está melhor. Logo de seguida, a consola central, também de grandes dimensões e ligeiramente voltada para o condutor, também nos retém o olhar. Ergonómicamente nada a apontar, antes pelo contrário.
O túnel central é largo, e se o C4 estiver equipado com caixa automática robotizada, existe um excelente espaço de arrumação onde deveria estar a manete das mudanças, profundo o suficiente para albergar uma garrafa de litro e meio de água. Muito bom.
Atrás nada a apontar. Muito espaçoso e deveras confortável, conforto também sentido nos lugares da frente. Ou seja, tipicamente francês.
A qualidade dos materiais é muito boa, destoando apenas a tampa do porta-luvas, de plástico de qualidade mediana, assim como o topo das portas. Mas nada que fique mal neste interior sofisticado e ao mesmo tempo muito acolhedor.
Ao acedermos à bagageira, mais uma agradável surpresa. São 408 litros muito bem aproveitados. Aliás, outra coisa não era de esperar de um automóvel com 4,33 m. de comprimento, 1,79 m. de largura e 1,49 m. de altura.
Para colocar este francês a rodar, temos as habituais motorizações a gasolina e a diesel.
Para os amantes da gasolina, a opção recai sobre dois blocos já conhecido do grupo PSA. O acesso à gama faz-se através do bloco de 1 397 cc, com 95 cv às 6 000 rpm e 135 Nm de binário às 4 000 rpm. No patamar seguinte encontramos o bloco de 1 598 cc que nos "oferece" 120 cv às 6 000 rpm e um binário de 160 Nm às 4 250 rpm.
Para os adeptos do baixo consumo, o C4 disponibiliza dois blocos a diesel. O mais acessível é o sobejamente conhecido bloco de 1 560 cc, aqui apenas com 92 cv às 4 000 rpm e um binário de 230 Nm às 1 750 rpm. Logo acima, o mesmo bloco, mas agora a disponibilizar 112 cv às 4 000 rpm, 3 600 rpm se estiver equipado com caixa pilotada, e 240 Nm de binário (270 Nm com a caixa pilotada) às 1 750 rpm.
No topo encontramos o bloco de 1 997 cc com 150 cv às 3 750 rpm e com um binário de 340 Nm às 2 000 rpm.
As versões a gasolina estão disponíveis apenas com caixa manual de cinco relações, também disponível na versão de 90 cv do 1,6 HDI. A caixa manual de seis relações equipa o 1,6 HDI de 110 cv e a versão 2,0 HDI de 150 cv. A caixa manual pilotada de seis relações está disponível apenas no 1,6 HDI de 110 cv.
O equipamento disponibilizado de série é o normal para o segmento, mas este varia consoante o nível escolhido. São quatro à disposição do comprador. O base é o Attraction, a partir de 20 143€, seguido do Seduction, a partir de 21 243€ e o topo é o Exclusive, aqui desdobrado em dois tipos: Exclusive (27 643€) e Exclusive 1718 (28 162€).
Para personalizar o C4, temos 10 cores exteriores, cinco tonalidades interiores, dois tipos de embelezadores de roda e seis jantes de liga leve diferentes.
A Citroën sempre se destacou das demais marcas pelo arrojo estético e pelas inovações tecnológicas. Talvez por isso ficou descapitalizada e adquirida pela Peugeot. Mas mesmo aliada à marca do leão, nunca colocou essas premissas de lado.Comparo-a mesmo às suecas Volvo e SAAB e à italiana Lancia, pois arrojo estético e inovação tecnológica são comuns a elas.
Esta nova geração do C4 tem tudo para ser mais um caso de sucesso, não fosse a carga fiscal em vigor no nosso país que está a levar as vendas ao mínimo.
Algo partilhado por todas as marcas...

Concorrentes

Alfa Romeo Giulietta: a partir de 23 868€;
Um estilo definitivamente desportivo e italiano. Excelentes motores tanto a gasolina, como a diesel. Equipamento de série muito bom, assim como os preços. Alguns pormenores poderiam ser melhores.
Potência de 105 a 170 cv.
Capacidade da bagageira: 350 litros.

Audi A3: a partir de 27 138€;
Um dos Audi mais agradáveis esteticamente. Bom comportamento e bons motores. Espaço limitado e muito pouco equipamento de série.
Potência de 105 a 200 cv.
Capacidade da bagageira: 370 litros.

BMW Série 1: a partir de 28 755€;
O único modelo de tracção traseira do segmento. Dinamicamente competente, com bons níveis de consumo e de emissões poluentes. Espaço interior limitado, principalmente nos lugares traseiros. Preços elevados e equipamento em baixo.
Potência de 122 a 306 cv.
Capacidade da bagageira: 330 litros.

Chevrolet Cruze: a partir de 18 750€;
Preço de arromba, para um veículo espaçoso e bem equipado. Alguns materiais do interior mereciam um aumento da qualidade, assim como a insonorização.
Potência de 124 a 163 cv.
Capacidade da bagageira: 450 litros.

Dodge Caliber: a partir de 23 000€;
Muito espaço interior, bom motor diesel e preço competitivo.
Qualidade interior muito fraca. Marca vai ser descontinuada no mercado europeu.
Potência de 140 a 150 cv.
Capacidade da bagageira: 523 litros.

Fiat Bravo: a partir de 17 608€;
Estética muito apelativa. Excelentes motores a gasolina e a diesel. Habitabilidade traseira poderia ser melhor e a qualidade dos plásticos poderia ser superior, tendo em conta ao que a Fiat faz noutros modelos.
Potência de 90 a 105 cv.
Capacidade da bagageira: 400 litros.

Ford Focus: a partir de 23 450€;
Estética agradável e bons motores. Dado que está em fim de vida, a oferta está reduzida às motorizações diesel.
Potência de 90 a 109 cv.
Capacidade da bagageira: 396 litros.

Honda Civic: a partir de 21 385€;
Design arrojado. Preços atraentes e bons níveis de equipamento.
Potência de 100 a 140 cv.
Capacidade da bagageira: 386 litros.

Hyundai i30: a partir de 17 050€;
Qualidade geral muito boa, dinamicamente competente e excelente relação preço/equipamento. Estética discutível.
Potência de 90 a 128 cv:
Capacidade da bagageira: 340 litros.

Kia Cee'd: a partir de 17 305€;
O único a oferecer 7 anos de garantia. Excelente relação preço/equipamento, bom motor diesel e excelente preço.
A imagem de marca ainda não convenceu o mercado, apesar de ser uma marca fiável e competente.
Potência de 90 a 128 cv.
Capacidade da bagageira: 340 litros.

Lancia Delta: 24 171€;
Um dos modelos mais irreverentes do segmento. Desenvolvido a partir do Fiat Bravo, a Lancia apresenta-nos um modelo distinto, com uma habitabilidade excelente e bons motores. Alguns detalhes interiores poderiam ser melhorados.
Potência de 120 a 200 cv.
Capacidade da bagageira: 380 litros.

Mazda 3: a partir de 20 473€;
Com uma estética marcadamente desportiva, o Mazda 3 tem uma dinâmica assinalável. Apesar da montagem interior ser robusta, os materiais são de tacto duro.
Potência de 105 a 260 cv.
Capacidade da bagageira: 340 litros.

Mercedes-Benz Classe B: a partir de 28 545€;
Qualidade e espaço interior em alta. Preços elevados face à concorrência e pouco equipamento de série.
Potência de 95 a 193 cv.
Capacidade da bagageira: 544 litros.

Mitsubishi Lancer: a partir de 20 765€;
Esteticamente atraente, robusto e bom comportamento dinâmico. Imagem de marca apagada e pouca insonorização. Existe em versões de 4 e 5 portas.
Potência de 109 a 295 cv.
Capacidade da bagageira: 430 litros.

Opel Astra: a partir de 20 550€;
Esteticamente agradável e com bom comportamento. O acesso aos lugares traseiros poderia ser melhor.
Potência de 95 a 180 cv.
Capacidade da bagageira: 370 litros.

Peugeot 308: 19 737€;
Face ao 307, melhorou substancialmente a qualidade interior. O estilo não é consensual. Bons motores.
Potência de 90 a 200 cv.
Capacidade da bagageira: 430 litros.

Renault Mégane: a partir de 22 800€;
Esteticamente melhorou, mas continua a sofre de pouca habitabilidade interior. A qualidade dos interiores varia de versão para versão. O melhor deste modelo é mesmo o motor 1.5 dci.
Potência de 90 a 250 cv.
Capacidade da bagageira: 372 litros.

Seat Leon: a partir de 19 544€;
Design agradável, e interior bem construído. Sofreu melhorias na suspensão. Qualidade geral abaixo do que é habitual no grupo Volkswagen.
Potência de 85 a 265 cv.
Capacidade da bagageira: 341 litros.

Skoda Octavia: a partir de 18 169€;
Um dos modelos mais pragmáticos da actualidade. Uma excelente relação preço/equipamento e com interiores muito bem construídos e espaçosos. A imagem de marca ainda não é das mais fortes.
Potência de 105 a 170 cv.
Capacidade da bagageira: 560 litros.

Subaru Impreza: a partir de 39 000€;
Imagem desportiva muito forte. Motorizações de elevada cilindrada penalizam o preço final.
Potência de 150 a 300 cv.
Capacidade da bagageira: 420 litros

Toyota Auris: a partir de 16 536€;
Relativamente espaçoso, peca por ter uma qualidade interior mediana. O design interior é sóbrio.
Potência de 90 a 132 cv.
Capacidade da bagageira: 354 litros.

Volkswagen Golf: a partir de 21 623€;
O modelo mais famoso do segmento e o alvo a abater por todos. Sólido, refinado e confortável, este é a referência da classe. O habitáculo tem uma aparência um pouco soturna.
Potência de 90 a 270 cv.
Capacidade da bagageira: 350 litros.

Volvo S40: a partir de 31 770€;
Muito bem construído e óptima relação conforto/comportamento. Motores de alta cilindrada penalizam o preço final. Habitabilidade abaixo da média do segmento.
Potência de 115 a 230 cv.
Capacidade da bagageira: 404 litros.



  

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