Foi em Outubro de 1976 que a Aston Martin tentou reabilitar o nome Lagonda, ao apresentar o Aston Martin Lagonda. Era senhor de um design arrojado e incluía instrumentação electrónica.
Em 1984 a gama foi alargada com uma carroçaria longa e em 1987 sofreu uma actualização. A sua carreira terminou em 1989 com um total de 645 unidades produzidas.
Após um percurso atribulado, em que mudou de mãos, a mítica marca britânica viu a concorrência cerrar fileiras com o alargamento da gama. O caso mais marcante é o da Porsche ao cometer o sacrilégio (segundo alguns aficionados da marca) de lançar um todo-o-terreno, e mais recentemente um modelo de quatro portas.
A marca de Gaydon não perdeu tempo, lançou o bebé Cygnet e agora reedita o esquecido e mal amado Lagonda. Mas agora com um nome mais sonante: Rapide.
Quando observamos as suas linhas, é um Aston Martin normal. O que os engenheiros britânicos fizeram foi alongar um DB9 e assim nasceu o Rapide. Será? Não.
O Rapide pode parecer o modelo familiar do DB9, mas não passa de meras parecenças. Nos seus 5,02 m. de comprimento, 2,14 m. de largura e 1,36 m. de altura encontramos algo que é raro. Este modelo conjuga poder, beleza e alma.
O design dianteiro não nega as origens e faz-nos ficar sem respiração. A linha lateral é tão suave, que parece cortar o vento como uma faca corta manteiga, um design marcante que nos remete para um nível só alcançável por poucos e que muito ambicionam.
Se a frente e a lateral é muito parecida com os outros modelos, a traseira rompe com essa ideia. Os designers colocaram a chapa da matrícula no pára-choque ao invés de a colocar na tampa da mala. Mas é este pequeno pormenor que marca a diferença entre o Rapide e os seus "irmãos". Perde um pouco a imagem agressiva, mas foi uma maneira de não dizerem que o Rapide não passava de um DB9 insuflado.
As portas, de abertura tipo asa de cisne, permite-nos aceder a um dos melhores habitáculos existentes.
Totalmente forrado a pele com várias tonalidades à escolha, o futuro proprietário também pode escolher as guarnições em madeira ou alumínio. A qualidade de construção é do que melhor se faz no mundo automóvel.
Ao acedermos aos lugares traseiros, encontramos duas baquets ao invés de um banco corrido, como é normal. (Este carro é mesmo bom para levar a sogra).
Uma vez aí sentados os passageiros ficam totalmente envolvidos pela consola central elevada, onde estão dois porta copos e os comandos do ar condicionado para os lugares traseiros. Não convém é sofrer de claustrofobia, pois dá a ideia de estarmos dentro de um buraco. A Porsche foi mais feliz neste aspecto com o Panamera.
As baquets dão para rebater, como um carro normal, o que permite aumentar a bagageira dos seus míseros 301 litros para uns mais expressivos 750 litros.
Para mover esta beleza sobre rodas, a Aston Martin recorreu ao seu bloco de 5 935 c.c., com 12 cilindros em V. Este "monstro" debita 470 cv às 6 000 rpm e tem à sua disposição um binário de 600 Nm às 5 000 rpm. Assombroso!!!
Toda esta força é colocada no asfalto através das rodas traseiras em conjunto com uma caixa de seis relações automáticas.
Tudo isto é muito bonito, não fosse o facto de termos de despender de 249 026€ para o termos na nossa garagem.
Não nos podemos esquecer que estamos a falar de um Aston Martin, com apenas duas baquets em vez de bancos normais, e que apresenta uma bagageira idêntica a um Citroën C3. Não! Não estou a ser mauzinho, somente a analisar os factos.
Mas o Rapide não está só, a concorrência é feroz, e apresenta modelos com aspectos mais práticos.
Concorrentes:
Audi A8: a partir de 119 240€;
A nova geração apresenta uma estética muito idêntica à anterior e o facto de ter uma traseira muito parecida com o Audi A4 retira-lhe alguma identidade. Tem carroçaria em alumínio e tracção integral.
Bentley Continental Flying Spur: a partir de 260 792€;
É mais caro que o Rapide, mas muito mais espaçoso e mais potente. Tem tracção integral.
BMW Série 7: a partir de 105 325€;
Após a actualização estética, ficou mais bonito. É um dos modelos mais polivalentes do segmento.
Jaguar XJ: a partir de 101 701€;
Rompeu com a estética do passado. A par do Audi A8, apresenta uma carroçaria em alumínio de design futurista.
Lexus LS: a partir de 125 125€;
Apresenta uma estética conservadora e quem compra um Rapide, nunca irá pensar no LS. Existe somente em versão híbrida.
Maserati Quattroporte: a partir de 160 180€;
Um dos automóveis mais bonitos do mundo. É um dos principais concorrentes do Rapide. Contudo já está a pedir a reforma.
Mercedes Classe S: a partir de 100 829€;
É um Mercedes típico. Esteticamente não se distingue em nada. Boa construção e bons motores.
Porsche Panamera: a partir de 106 167€;
Esteticamente é um 911 insuflado. Habitáculo refinado e cómodo. A par do Maserati, é um dos principais concorrentes do Rapide.
A concorrência é alguma, mas muitos são de forma indirecta. Só alguns têm um espírito muito próximo do Aston Martin Rapide.
























0 comentários:
Enviar um comentário